O MAPA estabeleceu para junho/2011 novos parâmetros de qualidade do leite (CBT e CCS), você acha que os produtores e as indústrias estão preparados para esta "nova instrução"?

Tags: CBT, CCS, IN51

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hummmm, se for levado á risca a IN 51, média geométrica, teremos muitos produtores de leite exluidos do programa por ccs... podem ter certeza, principalmente nos meses de novembro a março.
Legal Marcos. Será que somente nesses meses? rs Penso que toda cadeia produtiva em si não está preparada, desde o produtor até a indústria. Mas temos que confiar no MAPA, se impuseram uma meta para tão próximo (junho), deve ser por que já previram e/ou possuem dados médios a nível nacional de contaminação. Porém, ao se pensar em média devemos lebrar que os extremos, e no nosso caso de adequação os altos que nos incomodam, como por exempo CBT e CCS, com certeza teremos regiões muito ruins que dificilmente irão se adequar a tempo ou nunca, por não possuirem nem mesmo água tratada, e outras regiões, que na minha opnião é a minoria, que hoje já estão dentro ou bem próximos dos parêmetros desejados pelo MAPA. Bom, as perguntas são: Quem pagará a conta da adequação? Quais produtores sobreviverão, grandes, médios ou pequenos?

Acompanho pelo menos 5 industrias, todas elas de pequeno porte, e percebo que essa realidade ainda é distante. O maior problemo que percebo é a grande existência de pequenas fábricas ainda clandestinas, fábricas que trabalham com até 5000 a 6000 litros/dia e não sofrem fiscalização de nenhum órgão, ou ainda fábricas que não sofrem uma fiscalização eficaz mesmo estando registrada. Convivo com um exemplo forte, acompanho uma empresa que acabou de obter registro no SIF e estamos promovendo trabalhos junto aos fornecedores para a melhoria da qualidade do leite, com reuniões, palestras e informativos no sentido de exclarecer a importância da IN-51 e a necessidade de trabalhar com leite de qualidade, o problema é que há duas indústrias em um município vizinho (+/- 18 Km) que possui fábrica, uma registrada no IMA e outra no SIF(esta por sinal está interditada, mas continua funcionando irregularmente) que não estão sendo cobradas quanto a essa exigência. Moral da história os produtores que estão nos fornecendo nos questionam: "Porquê temos que melhorar se o meu visinho que fornece o leite para outra indústria não está sendo cobrado e recebe o mesmo valor que eu? E lá posso mandar leite bom ou ruim que pagam o mesmo preço"

Vocês acham que dá para competir? Se não houver uma conscientização forte e uma fiscalização adequada a esses marqueteiros será difícil, para quem quer trabalhar sério, resolver o problema.   

A IN-51 é importantíssima, mas tem que ser para todos.

Bravoooooo!!! Está aí o resumo do que ocorre Brasil adentro. Se você tentar conscientizar um produtor a ter qualidade com custo de produção um pouco mais alto, claro, ele deveria receber um pouco a mais por isso, justo! Contudo, o "clandestino", e muitas das vezes também sonegador, abocanha esse produtor pagando mais, afinal ele pode, e te deixa em condições de desigualdade de competir. A Fiscalização é outra coisa que deve mudar, há muita coisa pra ser feita (fiscalizada), fornecimento de energia com qualidade, conservação de estradas, etc.... desafios imensuráveis pela frente.

É impressionante a preocupação em adequar a normativa IN51 estabelecida pelo MAPA, entre varias respostas aqui postadas vejo muitos relatos que alguns produtores não irão adequar, como também vi relatos que produtores estão sendo prejudicados por falta de fiscalização. No entanto acho que o maior foco nesse termo é saber: Qual desses produtores tem assistência técnica e quantos deles estão dispostos a fornecer um leite bom e de boa procedência.

Pois o que mais se vê, é produtor ainda seguido receita de bolo. Sé meu avó fazia assim, meu pai fazia assim e sempre deu certo, por que eu tenho que mudar agora?

São mentes pequenas que não notaram que o circulo a cada dia vai se estreitando e com isso já estamos vendo produtores parando com as atividades por se endividarem com financiamentos do governo. Os pecuaristas precisam é de uma política voltada mais para o meio rural, precisam de assistência técnica, pois muitos já estão sendo acuados por leis urbanistas que não se preocupam se eles irão dar conta de entrar no regime. Como diz o termo: não sei se o pato é macho ou é fêmea, eu quero é o ovo, e com isso os pequenos produtores estão deixando o meio rural para irem para os grandes centros em busca de trabalho, fazendo com que até  mão de obra fica mais escassa e que a cada dia fica mais raro achar quem quer trabalhar na roça.

No final das conta o produtor que paga o pato, tem que se enquadrar na normativa porem nem sabe como? Muitos não tem condições de pagar um técnico para isso.

 

Saudações, novamente, aos amigos deste fórum.

Há grande verdade no que diz o Sr. Wilian Rezende, a carência de técnicos especializados para fornecerem orientação de qualidade ainda não é satisfatório, mas não é uma realidade absoluta. Eu sou um desses técnicos, que há mais de 20 anos TENTO colaborar com os desamparados produtores, como o Sr. os coloca, e que, lamentavelmente, o índice de aceitação é muuuuuuito pequeno. Sempre nos olham com ar de desconfiança e fazem de tudo para se manterem em suas zonas de conforto, entendido na esfera da psicologia humana, nem tanto na da economia. Aqueles que nos ouvem, uma minoria, tem conseguido bons resultados, mas avolumam insuficientes quantidades de leite para podermos atuar em escala.

Mas enquanto existir expectativa no futuro estarei de mangas arregassadas. Abraço. 

Vou entrar nessa discusão novamente, sabemos que o produtor muitas vezes está desamparado técnicamente e financeiramente, mas eu ainda não acredito que isso seja o total motivo de termos ainda o leite de tamanha má qualidade. Se nós observarmos, atender os requisitos de qualidade colocada na IN-51 não é tão difícil, basta alguns procedimentos de pré-ordenha, ordenha e pós-ordenha, como dizia "sou pobre, mas sou limpinho". Acredito que limpeza, organização e boa conduta vem de berço.

Levando um questionamento: "Porque produtor frauda o leite?"

Resposta: Porque tem uma indústria que recebe.

Volto a repetir, acompanho empresas de laticínios, faço palestras, reuniões com produtores, orientamos, informamos, mas sempre tem aquele laticínios que recebe qualquer coisa.

Produtor não é bobo e nem burro, ele sabe o que é bom ou ruim, sabe o que é certo e o que é errado. Uma coisa é ele produzir bem e não ser bem pago por uma indústria, porque esta indústria está sendo burra. Outra coisa é ele produzir de qualquer jeito, fraudar e mandar para aquele que paga por qualquer coisa.

Produtor tem que ser bem pago sim, mas ele não é santo e existem vários receptores de qualquer porcaria por aí, denegrindo e tumultuando a imposição e/ou a colocação da necessidade de se produzir leite com qualidade.

Abaixo a clandestinidade, ela é o câncer da cadeia da obtenção da qualidade.

A Fapemig acaba de liberar o recurso de R$ 585.000,00 para o programa CERTILEITE – Programa de Certificação de Qualidade do Leite – uma iniciativa da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas desenvolvida pelo Polo de Excelência do Leite. O recurso será usado para subsidiar a implantação de um modelo de qualidade para capacitar fornecedores de 100 indústrias de laticínio do estado.

Este recurso é resultado de um projeto piloto destinado a cobrir as despesas para adequar as fazendas às boas práticas. Cada indústria deverá, com este recurso, treinar 15 fornecedores, ou seja, 1500 produtores de leite estarão, ao final do projeto, atendendo às exigências da IN51. Esta Instrução Normativa exige níveis determinados de qualidade e segurança da matéria prima, um padrão ainda não alcançado pela maioria dos produtores mineiros. Sem esta adequação, eles poderão ser excluídos do sistema de produção de lácteos, reduzindo drasticamente a oferta de leite para a indústria, o que vai comprometer a posição do estado de Minas de maior produtor de leite do país. Maiores informações sobre o Programa podem ser conseguidas comigo, que sou o coordenador do projeto ou nos contatos do Polo. (32) 3311-7513

Bom Dia,

Estou no sul de minas e militando na assistência a produção familiar de leite pela Emater mg. Nos últimos anos vi uma mudança extrema dos produtores que buscam informações sobre CCS, CBT, etc.... e isso "motivado" pela IN 51. Vejo o principal problema a CBT e também a mais fácil de se resolver no "curtíssimo" prazo. Basta uma postura e decisão do produtor. Outro dia fiquei surpreso em visitar uma propriedade com 26 mil de CBT e 166 mil de CCS - Detalhe: piso da sala de ordenha de chão batido, ordenha manual, animais entre 3/4 e 7/8 HZ. Quando levantei o assunto, o produtor me disse que sabia que estava produzindo alimento e que levava pra sua mesa o leite que ele depositava no tanque de expansão(sem escolher vaca a ou b...). Isso é sinal de maturidade e responsabilidade.

Creio que de 2002 pra cá houve muita evolução e mudança de postura dos produtores, e olhe que sou filho de produtores  e já vi cada coisa !!! Não vejo a IN 51 como uma exigência do MAPA e sim da sociedade que quer alimentos melhores e mais seguros..

O que está faltando em nossa região e uma maior valorização do bom produtor pelas cooperativas e laticínios que ainda insistem em pagar melhor por volume. Se alguém vê o vizinho recebendo mais por um produto melhor não precisa nem de técnicos pra assistir o produtor na melhoria...É aquela velha máxima: " O freguês é quem manda".

Outro ponto que vi muita melhoria foi o resfriamento logo após a ordenha com a aquisição de tanques de expansão. Antes fazíamos muitos projetos com tanques de 2 - 3 mil litros para atender 30 ou mais produtores(que dificulta o controle de qualidade e eleva muito o frete interno do grupo) e agora com a redução do custo e a certeza do benefício tem muitos produtores adquirindo seu próprio tanque.

 

Sucesso a todos

 

Marcelo Martins

Emater mg

Alfenas

 

Pessoal,

 

Fantástica a discussão. Sou veterinária e atuo na área de transferência de tecnologia da Embrapa Rondônia, e o foco do meu trabalho é a qualidade do leite. Nossa realidade aqui é muito parecida com a retrada por vocês nesses tópicos, assim como os desafios.

 

Concordo com o Sérgio Janotti, se há leite de má qualidade, é porque existem indústrias que o compram, e essa aqui é a nossa realidade. Além disso, esse leite é matéria prima de produtos lácteos de péssima qualidade (falo isso com experiência prórpia, como uma grande consumidora de leite e derivados, e como uma cliente insatisfeita com a qualidade dos produtos que encontro aqui).

 

Também concordo com o produtor Marcelo Martins - leite de qualidade não depende de grandes investimentos, e sim de mudanças em processos, em atitudes, que por outro lado estão diretamente relacionados à cultura, ao grau de instrução do produtor, e também ao papel de educação sanitária trabalhado pela indústria que compra o seu leite.

 

Enfim... quando recebemos uma notícia como a de adiamento da data da mudança nos parâmteros de qualidade do leite da IN51, pensamos? O prazo é que é o problema? por quanto tempo adiaremos decisões importantes, sem um planejamento, uma política pública efetiva, nacional, integrada entres os vários elos do setor produtivo?

 

Fernanda

Boa dia aos participantes.

Pois é, para alegria de muitos e ganho extra no fôlego dos "desenquadrados", está aí mais uma chance para que sejam corrigidas algumas deficiências.

Contudo, na minha opinião, o grupo de pessoas que será composto para gerar um trabalho nesse período de "fôlego extra", deverá propor metas a serem atingidas, bem como ferramentas que AINDA não foram utilizadas, sejam elas na capacitação técnicas de produtores, seja ela na esfera financeira, onde o produtor poderá contar com cédito necessário para investimnto em infra estrutura.

Mas como relatado pelo colega Marcelo Martins, em estrutura simples também se produz com qualidade. A qualidade é mais uma questão de educação do que de recursos.

E para a indústria, colequem a campo seus técnicos, pois esse novo prazo também acabará, e aí, gritaremos por outro??

 

Abraços.

 

Marcos Scaldelai

 

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