Cadeia afirma que livre acesso de lácteos pode baixar ainda mais preços no mercado interno.
A cadeia produtiva do leite no Brasil está preocupada com a proposta apresentada pelo Itamaraty ao setor na quarta feira, 10. Segundo o governo brasileiro, um acordo de livre comercio entre a União Europeia e o Mercosul pode estabelecer o livre acesso de queijo e soro de leite da UE aos mercados brasileiro, uruguaio e argentino.
Segundo Rodrigo Alvim, presidente das comissões de leite da CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e da Faemg, Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais, o País precisa ficar atento às negociações principalmente em relação a acordos de ofertas bilaterais. “Precisamos minimizar os impactos, já que competir com a UE é difícil, pelos subsídios concedidos à exportação”, afirma.
Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria, afirma que com os subsídios que os países da UE possuem, o produto consequentemente entraria mais barato no País. O fortalecimento do mercado interno e a abertura para a exportação podem ser alternativas para driblar os efeitos das importações. “Para isso, o Brasil deveria atuar em parceria com a Argentina para exportar para os mesmos destinos”, diz o analista.
Alvim lembra ainda que as tarifas compensatórias sobre as importações de lácteos, estabelecidas em 1999 podem sofrer alterações com o acordo. Naquele ano, como medida de defesa comercial, o Brasil aplicou, além da alíquota de 27%, um direito antidumping de 14,8% e de 3,9% sobre as importações de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia, além de estabelecer compromissos de preços com a Argentina e Uruguai.
O Brasil embarca apenas 2% de sua produção e consome por ano uma média de 145 litros per capita, o recomendado gira em torno de 220 litros.
Fonte: DCI.
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